quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

POEMA LIVRO EM HOMENAGEM A THOREAU






                                      



2013 - ANO DA SERPENTE

POEMA ENXERTO - POETRY TO INSPIRE




reportagem-colagem organizada aleatoriamente pelo viés minado de ocorrências e citações da influência de bob dylan em terras brasilis seja na música popular seja na poesia. POETRY TO INSPIRE é 1 poema-enxerto isento de palavras. dedico este objeto ao acaso a joão gilberto e john cage cujas obras não tem nada a ver com a de bob dylan.

“se é para o bem do ovo diga ao ovo que frito” 
dylan em tarântula


a respiração
de joão
tem que ver
com a voz anasalada
de dylan
que
tem que ver
com

o RAP

poetry to inspire

poetry to respire

“palavra-coisa” (Sartre),
“linguagem em estado de pureza
selvagem” (Octávio Paz), “poetry is to
inspire” (Bob Dylan)”

leminski dá a letra em “limites ao léu” 
do livro distraímos venceremos

ademir assunção, pupilo de leminski
no poema "lena"
põe lena na fogueira:

"lena sempre trazia vinho, um baseado,
discos de bob dylan e poemas 
sobre o lado escuro da lua.tinha os seios 

pequenos, sobrancelhas finas e olhar 
melancólico. usava longas meias de seda,
que subiam até as coxas. sentava no sofá
de molas estragadas e perguntava
se eu queria ver sua calcinha vermelha."


enquanto isso o glauco mattoso
do poema "DE DUVIDA"
usa de epigrafe dos portões do éden
"and there are no truths outside the gates of eden" 
e faz a festa
com coturnos velhos

dylan parece tão brasileiro

quanto meus compatriotas



hélio oiticica interroga: você viu a boneca dylan,

lindíssima depois do acidente?

"bob dylan representa o que de maior se possa pensar como américa (do norte) e, no “star-system” seria a anti-estrela"


vide environment ilha de wight


quem não engole gás hélio
dá risada de piada
sem graça (RÁ RÁ RÁ)


ao

mesmo tempo q augusto

fala de

cummings

walther acerta em dizer

q dylan nunca erra



lennon em “god” derrubou o ídolo

e  virou o santo

de cabeça para baixo



o dylan de bonvicino  é este:

(cujos versos “but you’re gonna have 
to 
serve somebody, 
yes indeed”) abrem até agora


ôÔôÔô mundo-anglo-frustrado



 “ele é um cantor maravilhoso, parece o Pato Donald com consciência social, como disse Paulo Francis, citando um americano. Dylan, sim, faz uma poesia meio declamada porque ele vem dessa linha do canto falado do folk blues”
  
o "superbacana" em entrevista a bonvicino



parece q caetano se atrasou e tá atrasado

em ter abraçado a ideia da citação da citação de paulo francis

q dylan é um “pato donald com consciência social”

parece q caetano veloso e os trouxas do pasquim

continaram não entendendo

 “highway 61 revisited”

e foi gravar

“jokerman” para se redimir

de uma possível

PIADA com a tropicália dentro

o discurso da prósodia da letra de faroeste caboclo
de renato russo, do disco "q país é
este" da legião urbana
além de lembrar dante alighieri
provoca
uma dylanização
segundo o próprio:

"acho que faroeste caboclo é uma mistura de "domingo no parque" de gilberto gil, e coisas do raul seixas com a tradição oral do povo brasileiro. brasileiro adora contar história. e eu também queria imitar o bob dylan. eu queria fazer a minha "hurricane"

e por falar em raul:


ana maria bahiana 
biógrafa brasileira de jimi hendrix
apresentou-lhe dylan
ao q o maluco beleza
quis o destino q não gostasse:

mas, em entrevista ao pasquim
raul se rende:

"a letra de ouro de tolo saiu antes da música. veio a letra primeiro. eu só podia dizer aquela monstruosidade de letra quase só falando. então calhou. aquela coisa de dylan, falada, calhou."

                                                                 REVISTA POP-73

saquem a melodia da música "billy 1"
do disco "pat garrett & billy the kid" de 1973
e comparem com "medo da chuva" 
do disco "gita" de 74
renagar é fácil
difícil é assumir a estrutura, né,
raulzito?

péricles cavalcanti acertou em cheio
em ouvir rogério duarte
em  "it´s a over now baby blue"
na tradução de negro amor
q o babaca do hélio flanders
fez questão de falar mal 
num show no sesc consolação
sim eu estava lá

gal costa pernas e coxas
sensualizou
total
cida moreira contou em português
a história
do furacão  

o jornalista marcelo froes
"escreveu por ele mesmo"
então, escreverei por todos nós
  
e o q q o zé ramalho 
tem a ver com isso?
tudo

e toda caipirada freewheelin
desde tião carreiro e pardinho
como dyria dylan
zé geraldo: hey você de 8 a 80 anos
belchior em lira dos 20 anos:
"os filhos de bob dylan, clientes da coca-cola?
fagner (o che guevara do ceará):romance no deserto
"ouço um trovão e penso q é um tiro/a noite escura me condena/não sei se vivo, morro ou deliro/depressa pegue a arma madalena"


ivan cardoso o mestre do terrir
como sempre não deu mole
e gravou um trecho 
do show no rio de janeiro 
em 2010 na turnê "never ending tour"
está no "trovão da montanha"

"comecei aprendendo drummond
traduzi os poemas de ezra Pound
as canções de bob dylan, o underground"


braulio tavares aprendeu alguma coisa 
então

em sanguínea de fabiano calixto

"a canção de um vendedor de pipocas"

poema dedicado a (cof cof cof) a. freitas 
 

"imagino que as canções de bob dylan
existam para nos fazer suportar dias
como este"


 imagino q as canções existam
para suportar

todos os dias 
dias dias dias

todos eles


fabricio corsaletti de "quinn the eskimo" 

everything is broken

"a rua está quebrada
minhas botas
estão quebradas
minha voz
está quebrada"


a título de canção de dylan
a título de poema de fabricio

"torrencial fluxo de trabalho" 
"o primeiro punk"
roland penrose via picasso via marcelo nova

 "ao ver meu cd infidels nas minhas mãos, ela dispara: "marceleza, quem é bob dylan?". Imediatamente alguém grita: "todos pro ônibus!"

o único pecado dos críticos
surdos da revista rolling stone
é compará-lo a chico buarque


será q se bob dylan
 oferecesse 
um baseado pro caetano
ele aceitaria?
mas q ele gravou "don´t think twice.it´s all right "
gravou
gil não recusaria
ainda mais se fosse um do bom “DE BOB DYLAN A BOB MARLEY”

“Quando Bob Dylan se tornou cristão
Fez um disco de reggae por compensação
Abandonava o povo de Israel
E a ele retornava pela contramão

[...]

Eu cá me ponho a meditar
Pela mania da compreensão
Ainda hoje andei tentando decifrar
Algo que li que estava escrito numa pichação
Que agora eu resolvi cantar
Neste samba em forma de refrão:”


PROVAVELMENTE BOB DYLAN CONTRARIA TUDO O QUE VOCÊ ENTENDE POR POETA

colagem sobre o poema visual de erthos albino de souza “ninho de metralhadora”


tarântula, único romance de invenção de dylan
foi traduzido pelo poeta 
paulo henriques britto
COISA q outro tipo de pessoa
tipo: um advogado, um médico, um professor de gramática
jamais conseguiria 


conheci em paranapiacaba
um cara
chamado DYLAN
Q estava vendendo canecas no festival de inverno
tinha uma loja em são tomé das letras
m. já o conhecia
comentei sobre dylan thomas
e esse choconhaque
ele explicou q o pai era hippie
e hoje era da renascer em cristo
lamentamos:
e combinamos 
uma girada no balanço
ele estava sem drogas
com frio
arrumou um quintal para armar a barraca
e nos deu furo

claudio willer, o breton dos trópicos
dyz q a poesia de dylan faz a dyferença
eu dyria q a poesia dylan é dyferente

EUPROTESTOEUPROTESTOEUPROTESTOEU PROTESTOEU PROTESTOEU PROTESTOEU PROTESTOEU PROTESTOEU PROTESTOEU

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

TSÁ TSÁ

para minha mãe e monja shingetsu coen




dois problemas se misturam

a verdade do universo

e a prestação que vai vencer



raul seixas 


54 anos iluminando os céus 

um salto trêmulo arrebenta  
com bilhões de palavras hah! 
o corpo inteiro procura por nada

eihei dogen


o q se aprende
com a ventania?
a porta bate
a janela abre


d repente
me bateu
nostalgia
dos 5 minutos
q acabaram
d passar



deus 
é um músculo
oxigenado
vixnu maria



sem rastros, 
maduro
embora sempre
esverdeado, claro –
vegetal pronto 
'cai de maduro', 
fruto
do galho
expulso



c/ diego ribeirão

os olhos nas luas
as luas nos olhos
um branco só
um branco sóis



olhei pro alto
não era a lua
era o único
quarto aceso
do ultimo andar
do prédio



convivendo com corujas
creio q
1 nova sensibilidade
floresceu –
a d ler
dogen
em voz alta
pras corujas



fala mansa
tranquila
calma,
lógico q é
tática 
d guerrilha
urbana



um toque
no sino
incomoda
os inspetores
da lei do psiu
por perturbação
da ordem
universal



as alamedas do pacaembu
são tão melancólicas
com suas mansões
e guaritas

na arquibancada tenzuizenji
uma cápsula
montanha
em meio a prece-
eco
de uma torcida
extinta



poeta
q
é sério
ri
d
si
a



o pensamento
não pensa
quando pensamos
um no outro



você mal sabe
que quando
me elimina
dos seus
pensamentos
na real
me prioriza




para julia rocha
no cine palácio

o eco do microfone percute
e desdobra
a palavra no intervalo
em partes que o septo divide
em aspirar

pausa
é para
= usar

leonard cohen,
as rochas
são de uma sensibilidade notável,
o incenso
marca o tempo
além do comburente suspender
a paisagem interior
pela acústica da sala
do antigo cinema pornô       




em festa
d poeta
mesmo
o anfitrião
é penetra



se eu não estava lá
quando você passou
aconteceu um fenômeno
sublime em nossas vidas




quantos milênios
o disco de oito raios
sem lados na agulha
do sacro da vitrola
de sidarta foi girado?

engano azul
de nuvens provisórias
cômodos vazios
& frio na espinha

vento que traz
gelo no ar
(termo talismã)
que circula
entre a vela
– a c e s a –
no butsudan

humildade
relativa do
ar. aquário
sem água
sem peixe

como disse paul reps
em zen-bones
tá osso! mas
ainda há carne...
– hã, rigoroso higan
ainda tá na carne!





       agora
sem despertar
o daqui a pouco



se sei andar
na rua
sensei?
depende da rua
que ando



se não cria
não destrói

se não une
não racha

se não reúne
não destrona

sem invasores
não há muralha



me corrijo nos abraços



existe sim
um baita amor fraterno
do lado de lá
passando o batente
de toda porta
de saída de emergência



:
a madeira não reage
ao bater do han do dojo
:


PÁ!




1  negro
em meio ao escuro:
eis meu mestre!
1  negro
que vem ao mundo
pela escuridão

  



kaspar hauser, andar
para frente é místico

pisar nas teclas do piano,
e totabilizar os sustenidos

kaspar hauser, tocar
o instrumento, como respiro?

o sentimento do anão
é a natureza do circo



o vento entra
pela janela
e me convida
a sair pelo
céu vermelho



minha coluna
minha co
lina



responsável pelo badalo
do sino
do próprio templo -
mestres
são para se desconfiar



para danni costa 

senta a trisca
estende
o tapete:
e CONCENTRA

tá na senda
tá no chão
na posição
BIRMANESA

progressitar
mahavishnu
mahavilha
RASGA RAGA

de joão page
a heavy shankar
levanta a bata
do MAHATMA



arrastando
a fivela
com pinta
de dramaturgo premiado
pelo elegantérrimo
comitê
do baixo augusta
é assim
q chego
no rolê
arrastando
a fivela



timothy leary deu a dica
livro tibetano dos mortos?
nada de ácido!
sem entender
o tratado
1 ideia peacemaker
veio a cabeça!
makakashō
meditar no cemitério?
além da iluminação das lâmpadas
dos postes
no muro pixō ensō
para me colocar no eixō



ensō
logo existō
pixō



conquistar
o oxigênio
ao redor



café?
aqui tem
banchá
no blues



é um desafio
brindar a vida
de copo vazio



sambinha pra kannon

não deixe a kannoa virar
senhora da lótus sagrada

folha seca embarcação
profundezas de águas claras

tudo a prantos limpos
senhora da lótus sagrada

travessia sem paradas
ida que vens, e é chegada

ouvido que o lamento agarra
viagem que liberta mágoas

onde o abandono é abono
além do além da nossa maha



os calos
dos dedos
mindinhos
dos pés
são minhas
escolhas



sutil o véu
da garoa
contra o vento
praticando
tai chi chuan
 – chuá



sem cadeado
na corrente
sanguínea
desabrocha
o coração
em flor



a viagem q não fiz
a grana
que devo aos
meus amigos
o brilho
de um olhar esquecido
é o q guardo comigo



quem dorme
até a última
estação – não
atravessa o samsara
que há, entre
o trem, a plata
forma e o vão



p/ bernie glassman

na padaria do glassman
não se usa fermento
daquele fleischmann
nem se vende lamento
na prateleira da vida
q é sempre fomento



meu escravo fugiu, quem está livre sou eu

sêneca

sêneca é esperto
disse q um dia
é a vida toda e em 
todo fim da vida
tira uma soneca




indigestões
e
flatos
são
sagrados

místico
é aquilo
q não é
ensinado



ter o sono regulado
o intestino funcionando
por enquanto é o que
entendo por samádi



há peito
quando o coração
bate selvagem?



a onda é
o pensamento
do mar
nessa de ondas mentais
o eu parado
é o traidor
do movimento



se não cheguei
onde não estou
é porque estou
na aresta certa
do planeta



o carro
é o escarro
da cidade



do outro lado da ponte
a observar:
essas pessoas
que carregam
o fuji
em cima
de suas cabeças
raspadas


quando eu começar
a domar
minha salivação
serei
um pessoa 
independente



ninguém
sabe o sexo
das estrelas



parado
em frente ao morro do guaraú
a cada passo
pro lado
q eu dava
o morro
se movia



lucas, onde fica o seu coração?
– aqui no pescoço, tio.





FÍSICA QUÂNTICA

a poesia é um
grande retiro
das moléculas
moleques



para carol borguetti

monte
em muladhara
e cavalgue
o próprio
corpo



bolo sem gosto
vela só o fogo
poesia é festa
sem convidados



fazia poesia
na lavanderia:
aqui se suja
roupa limpa



me gusta
solitários
aqueles q oferecem
os coringas
escondidos
do baralho



diálogos
restritos
sim, não 
nego:
revelação
é sempre
queimar
o filme 



o dedo
q aponta
pra lua
é o rasgo
do dedo



"rei das roupas brancas que nunca teme a aproximação da morte"

oriki de oxalá


brincar
de branco
na cerca

carbura
buraco

nada racha
cabeça
de orixá



para valter vitor

sola no solo
do topo do morro
prana respirar
a vida é 1
viajem marjinal




uma camisa
do nirvana
igual ao do chicão

kurt cobain
engatinhando
engatilhado

qualquer
metafísica
é quebrada

quando se leva
uma criança
para mijar na privada




quando aponto
o dedo
pra lua
aperto
a unha
na lua



quando não corto
a unha
eu tenho a lua
no dedo



estivemos no deserto
lá era asfaltado
faltava de tudo
também faltava
areia



eu você nós dois
e nossas sombras:
já somos quatro



o grande barato d querer
sair sempre pela porta
da saída de emergência
é q numa dessas saídas
você não fará mais falta



venci meus desejos
mas quando quis
ir embora os perdi



o circulo diminui
ora expande
você não vê mais
as pessoas
q encontrava
mas
o maior barato
mesmo
é sempre agradecer
quem nos insultou



para ana c.
favor não confundir com ana cristina césar


levantam-se a sós
todas flores no lodo
penso este sorriso
em outros rostos

depois do rasgo
de mahakashyapa,
nada de palavras!

a ironia de vimalakirti:
não responder a nenhuma
das suas perguntas!

há quem beba cachaça
e há quem reverencie
budas, bodes & baratas




no fundão da praia
entre as pedras
do rio preto
e as gaivotas famintas
é q meu coração
se aquieta



a água q cai
da chuva
tinge
o mato
d verde



numa das últimas
entrevistas de emprego
a moça do RH me perguntou:
'qual a sua maior virtude'
respondi q:
brigo com as pessoas
apenas uma vez



laotzu
atravessou o rio amarelo
para guardar
as paredes
da casa amarela
junto a todos bodisattvas & orixás
jogando i-ching
com búzios
e o mar com olhos d criança barbuda



poema
sem
som
vocábulo-cavalo
não
existe primeira
ou última trotada -
vocábulo-cavalo
aquele
que
recebe
o
nada
aquele
q
recebe
o
nada
em suas
patas



na pedra
da praia do costão
d olhos fechados
procuro ovnis



quando se procura
um mestre se acha
o bambu quando
se procura o bambu
encontra-se o mestre



se eu ficasse
mais 1 min e meio
em zazen
certeza
q me iluminaria
antes que alguém
por engano
apertasse
o interruptor
do quarto



mas mestre,
para onde vão as nuvens
quando desaparecem
do céu?
- ora, vão para dentro
da gente



quando vira
o tempo
começa
no ouvido
o falatório
dos ventos



troquei 
pulgas
por calopsitas
atrás 
da orelha



homenagem a robert moog

OM


se você encontrar o buda
por aí, dixave-o
e depois fume-o

mas por favor
não mate-o
como falam os mestres



como um brâmane
educado
no mais rígido
ashram
leio 
gitanjali 
d tagore
agora
para um pé d hortelã



micro-performance
d não-leitura
dharmatizada –
be jokin
is not a joke:
o silêncio
q você gera,
é recolhido?
onde você despeja
o silêncio q produz?



os curtos fios d cabelos
brancos
da cabeça raspada
da roshi
são raízes
d espelhos



quando a polícia
jogou
a lanterna
na minha cara
naquela noite
fria
me tornei
um vagabundo
iluminado